Soja puxa exportação gaúcha em julho


Fonte:Jornal do Comércio

A soja em grão é definitivamente a vedete da balança externa gaúcha, mesmo em um ano de preços mais deprimidos das commodities. O produto emplacou, no mês passado, alta de 42,4% em volume e de 2,6% na receita, o que assegurou a melhor safra externa da commodity para julho desde 2002, período da atual série da Fundação de Economia e Estatística (FEE). A proteína injetada pela oleaginosa na balança serviu para amenizar o impacto dos números das exportações totais. O Estado embarcou volume maior (alta de 8,7%), mas com preços 17% mais baixos, a queda na divisa chegou a 9,8%, mesma redução do acumulado em sete meses. As vendas externas gaúchas perderam, até agora, US$ 1,07 bilhão, fechando em US$ 9,875 bilhões.

Os pesquisadores do Núcleo de Indicadores da FEE creditam o feito da soja a ganhos exponenciais de produtividade, que elevam o peso da matéria-prima na pauta ano a ano. O economista Tomás Torezani, pesquisador do núcleo, citou que a queda dos preços faz parte de ajustes, depois de anos de escalada, principalmente desde 2011. Torezani ressalta que a conversão para real melhora o efeito interno. "A desvalorização da moeda brasileira em julho chegou a 45%, mas, claro, há custos internos mais altos da produção", observou o economista.

A soja somou 97,7% da receita na área primária (US$ 647 milhões). No ano, o valor caiu em US$ 302 milhões, também efeito de preços menores. A China é o maior comprador. O efeito soja ajudou a elevar a cota de agropecuária na conta, saindo de 32,4%, em julho de 2014, para 36,3% no mês passado. Um sobe e outro setor despenca, caso da indústria de transformação, que vive um ano no negativo interna e externamente. Os ramos de processamento industrial recuaram de 66,2% (julho de 2014) para 62,3% no período recente. Apenas quatro (celulose e papel - efeito da ampliação da Celulose Riograndense, produtos farmoquímicos e farmacêuticos, produtos de madeira e de metal) não caíram em receita, os outros 20 ficaram no vermelho. Alimentos acabaram nutrindo mais a queda. No ano, cinco das 24 atividades acumulam crescimento em divisas, como fumo e veículos, reboques e carrocerias.

O volume cresceu 1,1%, mas preços baixaram 16% e a receita total, outros 15%. "Podemos ter aí até redução de preço de fabricantes tentando emplacar vendas", avalia o pesquisador. O Estado assegurou a terceira posição (9,9% da receita total) no ranking brasileiro em julho, atrás de São Paulo e Minas Gerais, deixando Rio de Janeiro e Paraná para trás.

A queda na receita com petróleo provocou o rebaixamento fluminense. "A queda de preços afetou todos os estados exportadores", ponderou Torezani. O desempenho gaúcho, mesmo com queda, não foi pior que o do Brasil, que amargou queda de 19,5% no valor e 20,1% em preços. No ano, o Estado ficou em quarto, mesmo assim conseguiu elevar de 8,2% (2014) para 8,8% a fatia do fluxo internacional total em sete meses. A equipe da FEE não considera que o desempenho de julho e no ano implique, em 2015, um resultado abaixo do ano passado, e projeta que a conta ainda pode fechar positiva. No ano passado, a ausência de plataformas de petróleo, produzidas em Rio Grande, acabou gerando menor divisa.

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