Dando continuidade ao nosso último comunicado sobre a volatilidade do mercado marítimo, trazemos uma atualização urgente e de caráter crítico para o planejamento das suas operações logísticas globais de importação e exportação.
O cenário que se desenhava para o final de maio se consolidou de forma ainda mais severa para junho. O mercado enfrenta agora uma tempestade perfeita: a antecipação da temporada de pico (early peak season) devido ao reabastecimento global para eventos e feriados, somada às persistentes tensões geopolíticas nas principais rotas mundiais e à forte restrição de capacidade dos armadores.
O resultado é um gargalo sistêmico que afeta o mercado brasileiro em múltiplas frentes:
Importação Marítima (Ásia para o Brasil): Falta Crítica de Espaço e Tarifa em Alta
As principais rotas comerciais com destino à América do Sul estão com os navios completamente lotados.
A Situação do Espaço: Conseguir a confirmação de praça tornou-se um desafio extremo. Os armadores estão recusando novas reservas ou aplicando roll-over (rolagem de cargas) para as semanas seguintes de forma frequente.
Tarifas e Sobretaxas: A partir de 1º de junho, entram em vigor os novos reajustes gerais de tarifas (GRI) e as taxas de temporada de pico (PSS). Como alertado anteriormente, o frete da Ásia consolida a tendência de alta expressiva em comparação aos valores praticados em maio.
Exportação Marítima (Do Brasil para as Américas): O Efeito Cascata
A crise na Ásia gerou um impacto colateral imediato no mercado de exportação marítima nas Américas. Para tentar dar conta da altíssima demanda e recuperar o atraso nas rotas do hemisfério norte e da Ásia, os armadores estão priorizando o reposicionamento rápido de navios e contêineres vazios.
Como consequência direta dessa assimetria logística, o mercado brasileiro de exportação começou a sofrer severos reajustes:
GRI de Exportação: Diversos armadores já estão divulgando oficialmente aumentos superiores a USD 1.000 a título de GRI para este mês de junho, afetando diretamente as exportações que saem do Brasil com destino às Américas.
Falta de Equipamentos: Além do frete mais caro, o exportador brasileiro deve enfrentar dificuldades adicionais para a liberação de contêineres vazios nas próximas semanas.
Modal Aéreo: Gargalos Marítimos Migram para o Céu
O forte estrangulamento do transporte marítimo começou a gerar reflexos diretos no modal aéreo. Diante da urgência em abastecer as linhas de produção e estoques comerciais, muitos importadores estão migrando suas cargas para os aviões.
Como consequência dessa busca repentina:
Conexões via Europa: Os serviços aéreos de importação que utilizam os hubs europeus como rota de conexão para o Brasil estão enfrentando fortes atrasos e congestionamentos devido ao altíssimo volume de carga acumulado nos terminais.
Espaço Reduzido: Assim como no marítimo, garantir espaço nos voos regulares exige maior planejamento, e as tarifas aéreas já dão sinais de pressão ascendente.
Nossas Recomendações Estratégicas
Para minimizar os impactos na sua cadeia de suprimentos e evitar quebras de estoque ou custos proibitivos, recomendamos fortemente as seguintes ações imediatas:
Reservas Antecipadas (Mínimo de 2 a 3 semanas): Se você possui pedidos pendentes ou previsão de demanda para junho, solicitamos o envio das informações imediatamente. Precisamos desse horizonte de tempo para tentar blindar o seu espaço junto às companhias marítimas e aéreas.
Flexibilidade de Cronograma: Sempre que possível, trabalhe com margens de manobra em seus prazos de entrega para absorver eventuais atrasos de navios, rolagens involuntárias ou conexões aéreas postergadas.
Fechamento Imediato de Ordens: Recomendamos finalizar as ordens de compra e pedidos de frete o quanto antes para tentar travar as melhores tarifas disponíveis antes que novos aumentos sejam integralmente aplicados.
Nossa equipe está monitorando o mercado diariamente e trabalhando intensamente nos bastidores para garantir espaço e mitigar os custos para os seus embarques.
Por favor, compartilhe conosco o seu plano de embarques para as próximas semanas para que possamos agir de forma proativa.




